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Cone© Tutankhamon-A vida e a Morte


 






 
O menino-faraó do Egipto fascina o mundo desde que a sua tumba
foi vislumbrada pela primeira vez, em 1922.
 
Agora, técnicas de investigação forense e imagens de alta tecnologia
dão novas pistas a respeito da sua vida - e morte.
 
 
Um vento furioso provocava fantasmagóricos redemoinhos de areia enquanto o faraó Tutankhamon
era retirado do seu local de repouso na antiga necrópole egípcia conhecida como o Vale dos Reis.
 
Nuvens negras haviam cruzado o céu do deserto durante o dia todo e agora ocultavam as estrelas.
Em poucos instantes, a múmia mais famosa do mundo iria deslizar de cabeça
num aparelho de tomografia computadorizada.
 
 
O objectivo era sondar os enigmas que ainda rondam este jovem soberano
que morreu há mais de 3,3 mil anos.
 
Durante a tarde, a fila de turistas descera até ao apertado sarcófago,
escavado na rocha a 8 metros de profundidade.
Eles contemplaram as pinturas nas paredes da câmara mortuária
e examinaram a máscara dourada com as feições de Tutankhamon,
o elemento mais impressionante na tampa do seu caixão externo em forma de múmia.
 
 
Alguns murmuravam enquanto liam os seus guias.
Outros mantinham silêncio, talvez meditando sobre a morte prematura de Tut
no fim da sua adolescência ou especulando se a maldição do faraó - a morte ou a desgraça
que se abateriam sobre quem se atrever a perturbar o seu sono eterno,
era de facto verdadeira.

No crepúsculo, após a necrópole ter sido fechada ao público,
egiptólogos de jeans e operários de túnica longa e turbante começaram a trabalhar.
Eles prenderam cordas às extremidades da tampa do ataúde e o afastaram do sarcófago.
Após uma pausa para reposicionar as cordas,
retiraram lentamente uma caixa de madeira, sem qualquer adorno.
 
 
No seu interior, envoltos em faixas de algodão e musselina amarelada,
estavam os restos mortais do rei Tut: um rosto sereno com uma cicatriz no lado esquerdo,
o peito estufado, braços e pernas esqueléticos,
todos enegrecidos pelas resinas usadas no ritual de sepultamento.
 

"A múmia está em péssimas condições devido ao modo como foi tratada por Carter na década de 1920",
avalia Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Superior de Antiguidades do Egipto,
enquanto debruça-se sobre o corpo para um primeiro exame detido.
 
 
Howard Carter foi o arqueólogo britânico que, em 1922, descobriu a sepultura de Tutankhamon
após anos de buscas.
Para sua surpresa, o conteúdo da tumba, embora tivesse sofrido um saque na Antiguidade,
estava intacto.
 
Até hoje, essa continua a ser a mais rica coleção régia já encontrada e tornou-se parte da lenda do faraó.
Assombrosos artefactos de ouro, cujo brilho eterno deveria servir de garantia para a ressurreição,
ainda atraem a maior parte da atenção do público. Mas o jovem faraó também foi enterrado
com objectos quotidianos que lhe poderiam ser úteis na vida após a morte: tabuleiros de jogos,
uma navalha de bronze, roupas de baixo de linho, caixas com alimentos e ânforas de vinho.
 
 
Depois de meses registrando todo o tesouro funerário, Carter começou a examinar os três ataúdes,
embutidos um dentro do outro. Ao abrir o mais externo, ele viu uma mortalha adornada
com guirlandas de folhas de salgueiro e oliveira, aipo selvagem, pétalas de lótus e centáureas -
os indícios de um sepultamento realizado em março ou abril.
 
 
Quando chegou à múmia, começaram os seus problemas.
As resinas ritualísticas haviam endurecido, cimentando Tut no fundo do caixão de ouro.
"Nenhuma quantia legítima de força seria suficiente para romper a resina",
escreveu Carter mais tarde.
"O que nos restava fazer ?"
 

Na câmara funerária apertada do Rei Tut, uma equipa de arqueólogos e técnicos
examina a tampa de madeira folheada a ouro do caixão externo do faraó adolescente.
 
Normalmente, a tampa cobre a múmia de Tut dentro de um sarcófago de quartzito monumental
mas, nessa noite (5 de janeiro de 2005), foi removida para que Tut possa ser tirado dali
e passe por uma tomografia computadorizada.
 
Nos próximos minutos, operários carregarão a múmia - acomodada numa caixa de madeira rasa -
até um trailer com equipamento especial, estacionado à frente da tumba subterrânea
escavada na pedra no Vale dos Reis.
 

 
O Momento da verdade
Antes de entrar no aparelho de tomografia, a múmia de Tut passa por um rápido exame físico
feito por Zahi Hawass (no centro), secretário geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto.
"O rei Tut é o ícone da história do Egipto, mas é apenas uma entre as milhares de múmias
que podemos estudar.

Com a Tomografia computadorizada, somo capazes, de certo modo, de trazer os mortos à vida."
Boatos e teorias a respeito da morte de Tut circulam desde a descoberta do seu túmulo,
por Howard Carter, em 1922. Raios X tirados em 1968 e 1978 vieram juntar-se ao debate.
Agora, imagens de tomografia computadorizada de alta resolução
podem revelar os mistérios deste faraó que governou há mais de 3.300 anos.


 
A imagem da saúde

Assim que a tomografia terminou, as imagens resultantes revelaram uma pista importante
a respeito da morte do faraó: o seu crânio estava intacto,
desprezando assim a teoria popular de que ele teria morrido devido a um golpe na parte de trás da cabeça.
 
Nas semanas que se seguiram à tomografia, especialistas do Egipto e da Europa
examinaram Tut em todos os ângulos possíveis, por computador.
Concluíram que ele era um jovem normal e bem alimentado de cerca de 19 anos quando morreu.
 
Apesar de algumas pessoas da equipe acharem que ele tinha quebrado a perna bem em cima do joelho,
o que pode ter levado a uma infecção mortal, não puderam afirmar com certeza.
Até que se façam estudos mais aprofundados,
o que - ou quem - matou o rei Tut continua sendo mistério.
 
 
 
O caso do crânio

A cabeça de uma princesa - possivelmente Meritaten, filha do rei Akhenaton -
feita de quartzito, apresenta formato de crânio raro, provavelmente um traço de família
exagerado pelo estilo artístico do período. O rei Tut - seu meio-irmão ou tio - com toda a certeza
tinha crânio longo e estreito, mas não era deformado deliberadamente.
 
"Os egípcios não praticavam amarração da cabeça", explica Ray Johnson,
director do centro de pesquisa da Universidade de Chicago em Luxor.
O formato da cabeça de Tut também não se deve a nenhuma doença,
dizem os especialistas que analisaram as imagens da tomografia.
Simplesmente se enquadra dentro das possibilidades normais das variações
entre os seres humanos.

 
 

Herança obscura

Ao anoitecer de um dia de inverno, visitantes aglomeram-se junto à colunata do templo de Luxor.
 
Amenófis III - pai ou avô do rei Tut - deu início à construção do salão,
mas o projecto empacou durante o reinado do seu filho herege, Akhenaton.
O rei Tut finalizou a construção quando o Egipto retomou as suas tradições.
 
Tut provavelmente também comissionou as estátuas que hoje se encontram
na extremidade norte da colunata - incluindo esta, do deus Amun sentando
com a sua consorte divina, Nut - mas ele pode ter morrido antes mesmo
de a pedra ter saído da pedreira.
 
 
 

 


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