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ESSE É UM PAÍS DE BRINCADEIRA... COM ESSA CONTINUAÇÃO, NÃO PODEMOS NEM DIZER QUE A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE...
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Date: Sat, 15 Jan 2011 15:26:40 -0200

Médicos reprovados

Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da
Educação para validar diplomas de médicos formados no exterior
confirmaram os temores das associações médicas brasileiras.

Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de
proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2
conseguiram autorização para clinicar.

A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas,
bolivianas e, principalmente, cubanas.

As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os
brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais e confessionais do País.

As faculdades cubanas - a mais conhecida é a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana - são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica. Os
brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo
seletivo, tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações
não governamentais e partidos políticos.

Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de
medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos
Sem-Terra (MST). Entre 2007 e 2008, organizações indígenas enviaram para lá 36 jovens índios.

Desde que o PT, o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos, o Conselho
Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados não teriam condições de exercer a medicina no País.

As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298
brasileiros que se formaram na Elam, entre 2005 e 2009, só 25
conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação
profissional.

Por isso, o PT, o PC do B e o MST optaram por defender o reconhecimento automático do diploma, sem precisar passar por exames de habilitação profissional - o que foi vetado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Médica Brasileira. Para as duas entidades, as faculdades de medicina de Cuba, da Bolívia e do interior da Argentina teriam currículos ultrapassados, estariam
tecnologicamente defasadas e não contariam com professores
qualificados.

Em resposta, o PT, o PC do B e o MST recorreram a argumentos
ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva, voltada mais para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa.

No marketing político cubano, os médicos "curativos" teriam interesse
apenas em atender a população dos grandes centros urbanos, não se
preocupando com a saúde das chamadas "classes populares".

Entre 2006 e 2007, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara chegou a aprovar um projeto preparado pelas chancelarias do Brasil e de Cuba, permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina expedidos nos dois países, mas os líderes governistas não o levaram a plenário, temendo uma derrota.

No ano seguinte, depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula
pediu uma "solução" para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde. E, em 2009, governo e entidades médicas negociaram o
projeto-piloto que foi testado em 2010. Ele prevê uma prova de
validação uniforme, preparada pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais do MEC, e aplicada por todas as universidades.

Por causa do desempenho desastroso dos médicos formados no exterior, o governo - mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias - pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de "promover ajustes".

As entidades médicas já perceberam a manobra e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação.

Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas.

FONTE: O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110103/not_imp661301,0.php

 

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