08/01/2011 -
Suspeita de espionagem na Renault: a investigação aponta para a China
Nathalie Brafman
Menos de uma semana após a suspensão de três altos executivos suspeitos de terem transmitido informações estratégicas sobre o veículo elétrico, revela-se que as pistas apontam para a China.
Segundo o diário “Le Figaro” de sexta-feira (7), a “Renault suspeita de uma participação chinesa, segundo várias fontes internas”. A gravidade do caso seria tal a ponto de “os serviços secretos franceses (...) terem iniciado uma investigação que também tende a privilegiar a hipótese do envolvimento da China”, informa o jornal.
As informações secretas seriam sobre a futura geração de baterias e do sistema de propulsão elétrica, que serão lançados após 2012. As patentes, cujo registro a Renault ainda não pediu, poderiam dessa forma ter sido vendidas a oficinas que trabalham na inteligência econômica para uma empresa chinesa.
A bateria é um dos itens mais importante do veículo elétrico. Por enquanto, a Renault e a Nissan são as únicas fabricantes a terem investido maciçamente nas pesquisas. No total, segundo números divulgados pela Renault, a aliança Renault-Nissan gastou 1,5 bilhão de euros (de um total de 4 bilhões para o carro elétrico) só na bateria elétrica, em parceria com a NEC.
Mas a China, principal mercado automobilístico do mundo, também lançou um grande programa de desenvolvimento do carro elétrico que reúne 16 fabricantes controladas pelo Estado. O país quer investir US$ 15 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) em dez anos. Sua meta: comercializar 500 mil veículos elétricos até 2013.
Os três executivos deverão ser convocados em breve pela direção para uma reunião, provavelmente em meados de janeiro. Esta poderá resultar em uma demissão. “Mas é possível que eles também aceitem pedir demissão”, informa uma fonte próxima do caso.
Espanto no Technocentre
Na sexta-feira de manhã, a empresa ainda não havia prestado queixa, mas iria fazê-lo “inevitavelmente”. “No plano jurídico, estamos estudando todas as opções que inevitavelmente levarão a uma prestação de queixa”, afirma Christian Husson, diretor jurídico da Renault.
No Technocentre [centro de pesquisas] da Renault, onde mais de mil engenheiros trabalham no veículo elétrico, várias reuniões de informação foram organizadas pela chefe de engenharia, Odile Desforges. O objetivo era tranquilizar as pessoas. Além disso, Patrick Pélata, diretor-geral da Renault, pediu em um e-mail “discrição” frente “aos inúmeros rumores” que vêm circulando e “podem prejudicar a imagem e a eficácia” da empresa.
Após o anúncio dessas suspensões, foi geral o espanto no Technocentre. Michel Balthazard, membro do comitê de direção e diretor da divisão de novos projetos, o mais graduado dos três executivos suspensos, era um engenheiro muito respeitado, e trabalhava na empresa há 30 anos. “Como ele é meio fanfarrão, no início alguns pensaram que ele estava sendo punido por demonstrar uma opinião divergente da estratégia da direção”, informa uma fonte próxima do caso. Mas após as explicações da fabricante, a incredulidade deu lugar à decepção: “Nunca ninguém teria pensado isso dessas três pessoas”.
Tradução: Lana Lim
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2011/01/08/suspeita-de-espionagem-na-renault-a-investigacao-aponta-para-a-china.jhtm
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