sempre Tihtih
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07.11.2011 | Opinião
Cigarro: fuja desta praga
O Programa Fantástico da Rede Globo que foi ao ar neste domingo (6/11/2011) lançou uma campanha encabeçada pelo médico Drauzio Varella intitulada "Brasil
Sem Cigarro". Desde já me solidarizo e dou irrestrito apoio a esta campanha que visa salvar vidas.
O Dr. Drauzio fala com propriedade, e não é de agora, sobre um tema que atinge a vida de milhões de brasileiros, a dependência da nicotina.
Em um artigo publicado em seu site intitulado "
Droga pesada
", Varella pega pesado, dizendo:
Fui dependente de nicotina durante 20 anos. Comecei ainda adolescente, porque não sabia o que fazer com as mãos quando chegava às festas. Era início dos
anos 60 e o cigarro estava em toda parte: televisão, cinema, outdoors e com os amigos. As meninas começavam a fumar em público, de minissaia, com as bocas
pintadas assoprando a fumaça para o alto. O jovem que não fumasse estava por fora.
Um dia, na porta do colégio, um amigo me ensinou a tragar. Lembro que fiquei meio tonto, mas saí de lá e comprei um maço na padaria. Caí na mão do fornecedor
por duas décadas; vinte cigarros por dia, às vezes mais.
Fiz o curso de medicina fumando. Naquela época, começavam a aparecer os primeiros estudos sobre os efeitos do cigarro no organismo, mas a indústria tinha
equipes de médicos encarregados de contestar sistematicamente qualquer pesquisa que ousasse demonstrar a ação prejudicial do fumo. Esses cientistas de
aluguel negavam até que a nicotina provocasse dependência química, desqualificando o sofrimento da legião de fumantes que tentam largar e não conseguem.
O que o Dr. Drauzio não é novidade. Lembro-me do tempo em que os médicos fumavam nos hospitais e na frente de seus pacientes, nos consultórios.
Para se ter uma ideia, o meu cardiologista era um fumante inveterado e quase morreu por causa disso.
Eu mesmo comecei a fumar muito cedo. Com apenas 13 anos acreditava que seria mais "macho" se fumasse. Eu e diversos amigos que fumávamos escondidos de nossos
pais ou na casa de amigos que seus pais achavam fumar algo "natural".
Mas voltando à campanha do Fantástico, ela propõe que no dia 13 de novembro, os fumantes não fumem.
Não sei se vai ser fácil, mas de qualquer maneira é louvável esta campanha, que por certo não aconteceria se as fabricantes de cigarros fossem (como foram),
os maiores patrocinadores da mídia nacional.
No meu caso, a ficha caiu definitivamente depois de um pequeno susto ocorrido no verão de 1997.
Parei e parei mesmo de fumar. Lembro que no dia seguinte ao "susto" cheguei à minha sala onde trabalhava, abri a primeira gaveta de minha escrivaninha e
retirei uns três pacotes e mais alguns maços de "Carlton, um raro prazer" (que mata).
Dirigi-me à sala de alguns colegas e distribuí para quem quisesse aqueles que foram os últimos cigarros que comprei.
Daquele dia em diante nunca mais.
Tornei-me um cara chato e intransigente com os fumantes, pois até hoje tenho que me controlar para "não cair em tentação". Depois de um cafezinho, um chope
gelado, que saudade... Mas isso é passado.
Por conta desta brusca parada, engordei alguns "vários" quilinhos.
Mas a troca valeu. Hoje estou com 91 quilos e na descendente, vivendo uma vida com mais saúde, sentido sabores e aromas que desconhecia.
O fato é que apesar de ter me livrado desta praga há cerca de quinze anos, volta e meia, principalmente no inverno, sofro com algumas sequelas que o cigarro
me deixou.
Não entre nessa fria. Se ainda não entrou, fuja. Se estiver envolvido com esta praga, procure ajuda e use de sua maior arma, a vontade de viver.
(Ricardo Orlandini)
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